Pericardiocentese (Cães e Gatos)

Procedimento de drenagem do saco pericárdico indicado em efusão com tamponamento e para elucidar a etiologia do derrame. Conteúdo técnico para veterinários.

Indicações e reconhecimento de tamponamento

Indica-se pericardiocentese quando a efusão pericárdica leva a comprometimento hemodinâmico (tamponamento) ou quando é necessária amostra diagnóstica. Suspeite de tamponamento com taquicardia, fraqueza, pulso fraco, turgência/pulso jugular, ascite, mucosas pálidas e muffled heart sounds. A confirmação é ecocardiográfica (colapso diastólico de câmaras direitas, derrame significativo, veia cava caudal distendida).

Contraindicações, preparo e monitorização

Precauções

Coagulopatias importantes, plaquetopenia grave, suspeita de ruptura cardíaca e instabilidade extrema exigem planejamento e suporte avançado.

Preparo

Acesso venoso, oxigênio, ECG/SpO₂/PA. Tricotomia ampla, antissepsia rigorosa e anestesia local. Sedação minimizada em tamponamento grave.

Materiais

USG, cateter sobre agulha 14–18G, extensor, 3 vias, seringas 20–60 ml, tubos EDTA/seco, campos estéreis, lidocaína, monitor multiparamétrico.

Técnica resumida (guiada por ultrassom)

  1. Posição: esternal ou decúbito lateral direito. Planeje a trajetória com USG evitando coronárias/miocárdio.
  2. Janela de acesso: hemitórax direito 4º–6º EIC próximo à junção costocondral; alternativa subxifoide.
  3. Antissepsia e anestesia: preparo amplo de pele e infiltração com lidocaína.
  4. Punção: cateter sobre agulha direcionado ao ombro esquerdo com aspiração suave contínua.
  5. Confirmação: ao obter líquido, avançar o cateter, retirar a agulha e conectar extensor + 3 vias.
  6. Drenagem: lenta, com monitorização de ECG/PA; interromper e reposicionar se arritmias significativas.
  7. Amostras: citologia e PCV/TS do líquido; cultura/bioquímica quando indicadas.
  8. Reavaliação: ecocardiograma de controle; considerar Rx/USG torácico se dispneia/piora.

Interpretação do líquido pericárdico

Com frequência é hemorrágico e não coagula (defibrinado). Compare PCV/TS do líquido com o sangue periférico. Citologia pode sugerir neoplasia, inflamação ou hemorragia. Resultados negativos não excluem neoplasia — integre com imagem e clínica.

Riscos e manejo de complicações

Arritmias

Contato miocárdico pode induzir VPCs/TV. Interrompa, reposicione; trate conforme protocolo institucional.

Pneumotórax / Hemotórax

Suspeitar com dispneia súbita/queda de SpO₂. Tenha toracocentese e suporte prontos.

Infecção / Dor

Assepsia rigorosa e analgesia adequada reduzem risco. Vigiar sítio e parâmetros no pós-imediato.

Pós-procedimento e seguimento

Monitorize por horas (ECG, PA, FR, dor). Planeje reavaliação ecocardiográfica e investigação etiológica (neoplasias como hemangiossarcoma/mesotelioma; causas inflamatórias/infecciosas). Em recidivas, discuta pericardiectomia e terapia da causa base.

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Checklist rápido

Etapa Pontos críticos
Estabilização O₂, acesso venoso, monitor; minimizar sedação se choque/tamponamento.
Acesso USG para planejar trajeto; 4º–6º EIC direito/subxifoide; antissepsia ampla.
Drenagem Aspirar lentamente; parar se arritmias; usar extensor + 3 vias.
Amostras EDTA e seco; PCV/TS do líquido; cultura conforme suspeita.
Reavaliação Eco de controle; planejar investigação/seguimento e orientar tutor.

Aviso importante

Conteúdo destinado a médicos-veterinários. Procedimentos invasivos devem ser realizados por profissionais habilitados, com monitorização e assepsia adequadas. Em caso de dúvida, encaminhe a centros com suporte de ecocardiografia e cirurgia.

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